
Desde criança, quando certa vez fiquei presa no banheiro da escola, tenho pavor de ficar fechada em algum lugar, sem saída. E com o tempo, tudo piora se o lugar estiver muito cheio.
Tenho medo, não, a palavra certa seria pânico de metrô, elevador e nem preciso dizer avião né? É óbvio que quanto mais se pensa, mais deve-se atrair as coisas, porque é só eu pegar um metrô ou um elevador pra acontecer alguma coisa e eu ficar presa lá dentro.
Aí, como normalmente eu já estou tensa, os sintomas começam a piorar, a boca formiga, as pernas tremem e começam a adormecer, fico com a boca seca, coração dispara e certa vez eu quase cheguei a desmaiar mesmo.
Nunca levei muito a sério, porque tô sempre evitando pegar metrô. E mesmo morando em prédio, evito pegar elevador cheio. Sei que preciso tratar isso, porque com certeza vai me atrapalhar e muito, mas nunca fui a fundo procurar ajuda. Pelo que andei pesquisando na internet, tudo indica que o que tenho é síndrome do pânico. Para alguns é só uma claustrofobia, como se isso fosse pouco, e para outros é pura frescura. Mas só eu sei como é difícil lidar com os sintomas do que tenho.
Por isso, bem antes de fechar a viagem da lua-de-mel eu já estava tensa com o avião. Cogitei em viajar aqui pra perto, de carro mesmo. Mas, depois pensei que além de não ser justo com Ri, não era justo comigo. Deixar o medo me dominar, deixar de viver e de conhecer lugares ótimos por conta disso.
E agora que fechamos mesmo a nossa viagem, não há um só dia que eu não pense nesse avião. Tem dias que perco o sono por conta disso. Não entendo por que simplesmente eu não posso pegar carona numa estrela cadente ou numa nuvem de algodão. Seria tão mais simples.